Monografias

MIRMECOFAUNA DE ÁREAS COM DIFERENTE DENSIDADE DE
BAMBU NO PARQUE ESTADUAL CHANDLESS, ALTO PURUS,
ACRE, BRASIL


O Brasil está entre os locais com maior diversidade de formigas do mundo,porém dada a sua dimensão continental e seu processo desuniforme de desenvolvimento científico, o conhecimento a respeito da biodiversidade brasileira é expressivamente limitado. Isso se aplica plenamente as pesquisas sobre a diversidade de formigas no estado do Acre, sudoeste da Amazônia. Assim, o objetivo geral do presente estudo é reportar a fauna de formigas obtida de uma amostragem rápida no Parque Estadual Chandless – PEC. Os objetivos específicos foram verificar
a riqueza e composição de espécies, e quantificar a dissimilaridade entre as assembleias de formigas entre duas áreas com diferentes densidades de bambu. As formigas foram coletadas em duas áreas de vegetação primária de floresta ombrófila aberta, sendo que uma se evidencia uma baixa densidade de bambu (área 1) e a outra uma alta densidade de bambu (área 2). Em cada área foram estabelecidos três transectos, com 15 pontos amostrais cada. Os pontos amostrais ficaram distantes 10
m entre si e em cada ponto amostral foi instalada uma armadilha de queda do tipo pitfall na superfície do solo. Foram coletadas 67 espécies, distribuídas em 19 gêneros e sete subfamílias. Myrmicinae foi a subfamília com maior número de espécies, 37, seguida por Formicinae (10), Ponerinae (nove), Dolichoderinae (cinco), Ectatomminae
(três), Pseudomyrmex (dois) e Dorilinae (uma). Dentre as espécies coletadas, 38 espécies são exclusivas para a área 1, outras 12 espécies são exclusivas para a área 2, e 17 espécies foram comuns para as duas áreas. Este estudo demonstrou que o padrão de riqueza de espécies de formigas do PEC é semelhante ao encontrado em outros estudos na Amazônia brasileira, a expressiva diferença na riqueza de espécies exclusivas e compartilhadas entre as duas áreas, pode estar associada a diferenças
na densidade de bambu, apoiando a hipótese de que ambientes mais complexos apresentam maior riqueza de formigas do que áreas cuja complexidade ambiental é menor. Entretanto, estudos mais abrangentes da fauna de formigas e análises estatísticas mais refinadas são necessárias para se aferir com maior segurança os processos envolvidos na mudança da estrutura das assembleias de formigas em
áreas com floresta ombrófila aberta no sudoeste da Amazônia.