Dissertações

A região neotropical abriga a maior diversidade de mamíferos do mundo e a região oeste da Amazônia, onde está inserido o estado do Acre, é uma das regiões com maior riqueza de espécies. Os mamíferos em geral são considerados importantes componentes da biodiversidade, desempenhando papel fundamental na regulação e estruturação de ecossistemas florestais. Contudo, ainda existem lacunas no que concerne a distribuição e riqueza de espécies na região Amazônica. Em vista disso, o objetivo deste estudo foi listar as espécies de mamíferos de médio e grande porte ocorrentes no Parque Estadual Chandless (PEC – AC), destacando aquelas classificadas como ameaçadas. Foram utilizados quatro métodos diferentes em dois anos de amostragem, 2008 e 2013: transecção linear, armadilha fotográfica, entrevista e contagem de vestígios. A área do PEC apresentou elevada riqueza de mamíferos de médio e grande porte, quando comparado com outras unidades de conservação adjacentes. Foram registradas 51 espécies de mamíferos, sendo as ordens Primates, Carnivora e Rodentia as mais ricas, com destaque para o provável registro de Dasyprocta azarae, uma nova ocorrência para o estado do Acre. Das espécies registradas, 13 estão listadas como ameaçadas de extinção.

Borges (2014)

Modelos de estruturação de comunidades ao longo de gradientes ambientais são bem conhecidos, mas pouco utilizados, e representam uma ferramenta essencial para a compreensão do funcionamento das florestas tropicais e para a formulação de estratégias de conservação da herpetofauna. No presente estudo, avaliamos como a riqueza, abundância e composição de anfíbios e répteis variam entre os ambientes ripários e não ripários, e se fatores ambientais como abertura de dossel, temperatura e umidade, profundidade de serapilheira e densidade de sub-bosque influenciam na riqueza, composição e abundância de anfíbios e répteis nos dois ambientes. O estudo foi conduzido em 40 transectos por estação, durante a seca, transição entre seca e chuva e chuva no Parque Estadual Chandless, Alto Purus. Não houve diferença significativa na riqueza, composição e abundância de anfíbios e répteis entre áreas ripárias e não ripárias. Todas as variáveis ambientais analisadas influenciaram anfíbios ou répteis. A maior parte das espécies teve sua distribuição nos dois tipos de ambiente, o que pode ser um indício que a distância de até 100m pra classificação de área ripária.

Paiva (2015)

Os mecanismos responsáveis pelo funcionamento das comunidades e como se relacionam com o ambiente podem trazer esclarecimentos sobre processos que estabelecem padrões de diversidade em múltiplas escalas. As funções ecológicas que as espécies exercem dentro de uma comunidade são expressas através de suas características morfofisiológicas. Os mamíferos são considerados fundamentais na cadeia tróficas em ecossistemas tropicais. Na floresta amazônica, os morcegos desempenham papéis ecológicos fundamentais para os ecossistemas (ex.: dispersão de sementes, polinização, controle de presas) e essas características são influenciadas, em parte, pela disponibilidade de recursos no ambiente (alimento ou abrigo). Aqui, comparamos a resposta funcional de morcegos com as características estruturais da floresta dominada por bambu Guadua spp., tendo como controle, uma floresta sem bambu. Estimamos a resposta funcional através de Diversidade funcional (FD), Riqueza funcional (FRic), Divergência funcional (FDiv), Uniformidade funcional (FEve), Dispersão funcional (FDis) e Especialização funcional FSpe. As florestas dominadas por bambu apresentaram FD inferior, mas foram caracterizadas por valores maiores de FRic e FEve em comparação com florestas sem bambu. Esses resultados indicam níveis de redundância funcional e sugerem que existe uma enorme quantidade de espaço de nicho ocupado por espécies de morcegos no espaço multidimensional de traços funcionais. Portanto, características ecológicas do bambu levaram a mudanças previsíveis nesses ambientes, que por sua vez moldaram a montagem da assembleia de morcegos com base nas variáveis da estrutura vegetacional aqui avaliados. Nosso estudo fornece insights sobre as respostas funcionais dos morcegos à modificação ambiental proporcionada por bambu Guadua, e corroboram com nossas hipóteses, ou seja, a resposta funcional de morcegos em floresta dominada por bambu é menor do que o esperado por acaso. E revelam níveis de redundância funcional, sobreposição de nicho e efeito de filtro ambiental às mudanças na estrutura de desses ambientes no sudoeste da Amazônia. Assim, apoiamos a hipótese de que mudanças na estrutura vegetacional em florestas dominadas por bambu alteram os processos de assembleia da comunidade.

Verde (2018)

A atividade de caça é o principal meio de obtenção de proteínas para comunidades que vivem nas florestas tropicais. Este estudo teve o objetivo de caracterizar a pressão de caça no Parque Estadual Chandless, localizado no Estado do Acre, Brasil. A coleta de dados foi realizada através de aplicação mensal de calendário de caça e questionários para oito famílias residentes na unidade de conservação, de maio de 2017 e abril de 2018. Foram abatidas 28 espécies, totalizando 482 indivíduos e 5.624,10 kg de biomassa, que gerou um consumo mensal de 87,91 kg por família. Destas 28 espécies, foram 18 mamíferos, oito aves e dois répteis. Chelonoidis denticulata e Pauxi tuberosa foram as espécies com maior número de abates e Tapirus terrestris e Pecari tajacu foram as os que mais contribuíram para biomassa. A técnica de caça a ponto foi dominante, enquanto que a caça com cachorro ocorreu mais do que a caça de espera. Não houve efeito da sazonalidade sobre a abundância e biomassa de animais abatidos.

Zumba (2018)