Moradores

No rio Chandless, especificamente na área denominada Gleba 9, habitam 11 famílias e 58 pessoas, todas localizadas imediatamente as margens do Rio Chandless, em habitações peculiares de comunidades tradicionais ribeirinhas (Foto 1). Sendo maior parte da população nascida no próprio rio Chandless. As famílias do Chandless caracterizam-se por mesclar identidades culturais e étnicas de origem indígena, nordestina e peruana. Essas heranças se mesclam de forma diferenciada conforme o aspecto da vida social que se queira analisar: a língua pode ser indígena ou peruana, mas é sempre misturada com o português, que todos falam; a herança indígena é claramente presente na forma de produção, mais agrícola que extrativista, assim como na habilidade para construir pequenas canoas; as habitações e a forma de educar os filhos têm influência nordestina; e os traços fisionômicos, assim como a origem das famílias, descendência peruana.

Os laços de parentesco formam uma grande teia que conecta todas as famílias entre si, direta ou indiretamente, mas não as leva a partilhar o mesmo espaço físico, ou a criar espaços coletivos. O padrão é a organização econômica, social e espacial sob gestão da família extensa, ou seja, pais, filhos solteiros e casados, e netos. A economia das famílias do rio Chandless caracteriza-se pela autossuficiência. A produção é voltada principalmente para subsistência e o nível de dependência de produtos não produzidos pelos moradores. Esta produção (é agroextrativista), com predominância da agricultura, restringindo-se o extrativismo à pesca. São famílias de agricultores, com produção diversificada, abundante: arroz, feijão, milho, roça, amendoim, farinha, frutíferas variadas. Grande parte da produção agrícola das famílias é obtida no período de seca do rio Chandless, onde eles aproveitam as praias expostas para o plantio de feijão, arroz, milho, melancia e amendoim (Foto 2). A criação de animais domésticos, especialmente porco e galinha, é bastante difundida.