Fauna

A região do Parque Estadual Chandless está inserida na planície amazônica, nas bacias dos rios Purus e Iaco, com extensas áreas de inundação e com a formação de paranás, furos, lagos e igarapés. Estudos iniciais indicam que o Parque constitui-se em um dos centros de distribuição do bambu, os chamados “tabocais” do sudoeste da Amazônia, agregando uma diversidade de animais e plantas exclusiva daquela paisagem.

A fauna é riquíssima com registros de médios e grandes mamíferos, em torno de 51 espécies foram registradas por Borges et al. (2015) Entre as principais espécies registradas destacam-se espécies ameaçadas de extinção como os dois maiores felinos das Américas a onça pintada e a onça vermelha. Grandes ungulados também são registrados com relativa abundância na área do parque, anta, veado, queixada e cateto são frequentemente encontradas nas trilhas de pesquisa e por vezes as margens do rio Chandless. Este grupo é formado por espécies que são o principal alvo de caça e muito sensíveis a qualquer pressão de caça exercida em uma determinada área.
Grandes primatas também são frequentes na região, grandes grupos de macaco preto (Atele chamek) e guariba (Alouatta puruensis) podem ser avistados.

Atualmente são contabilizadas mais de 400 espécies de aves para região do Chandless. Destacamos a ocorrência de espécies sensíveis às alterações de habitat como Mutum (Pauxi tuberosa), Jacú (Penelope jacquacu) e Cujubim (Aburria jacutinga), estas espécies são alvos de caça devido tamanho (custo-benefício de carne). Espécies de relevante beleza também são encontradas, grandes grupos de araracangas (Ara macao), papagaios e diversos periquitos são avistados nas margens do rio Chandless, principalmente em locais denominados barreiros (pontos onde há grande concontração de sais e minerais no solo dos barrancos do rio). A região do PEC já é considerada como um hotspot (ponto quente) para observação de aves (Birdwatching), pois “se trata de uma região com alta biodiversidade, com uma lista imensa de aves, com a provável ocorrência de novas surpresas” (Ricardo Plácido
-Biólogo da Secretaria Estadual de Meio Ambiente). Uma breve lista de espécies registradas por Ricardo apresenta algumas espécies da avifauna bastante visadas por amantes desta atividade.

Abaixo algumas das mais elusivas, de difícil registro que podem ser observadas no Parque Estadual Chandless:

  • japu-de-rabo-verde (Cacicus latirostris);
  • japu-de-capacete (Cacicus oseryi);
  • capitão-de-colar-amarelo (Eubucco tucinkae);
  • chupa-dente-do-peru (Conopophaga peruviana);
  • barbudo-de-coleira (Malacoptila semicincta);
  • tem-tem-de-crista-amarela (Lanio rufiventer);
  • tovacuçu-xodó (Grallaria eludens);
  • tovaca-estriada (Chamaeza nobilis);
  • sanã-zebrada (Laterallus fasciatus);
  • cotinga-azul (Cotinga maynana);
  • freirinha-amarelada (nonnula sclateri);
  • barranqueiro-ferrugem-do-acre (Clibanornis watkinsi);
  • borralhara-ondulada (Frederickena unduliger);
  • corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus).

Se tratando de herpetofauna, em um estudo de dissertação de mestrado, foram registradas 191 espécies no total, com 69 espécies de anfíbios e 60 espécies de répteis (Paiva 2015). O elevado número de espécies registradas na região está relacionado ao alto grau de conservação da unidade, a diversidade vegetacional e a proximidade das terras altas do oeste da Amazônia e elevado endemismo da região.

Durante a construção do plano de manejo da unidade foram identificadas cerca de 482 espécies de lepidópteros sendo esperado um total de 1700 espécies se realizado um maior esforço amostral e outros ambientes e em diferente épocas sazonais (Mielke et al. 2010).

A ictiofauna apresenta em torno de 100 espécies registradas, ao longo de vários ambientes aquáticos na região do PEC, lagos de meandro abandonado, igarapés tributários do rio Chandless e córregos intermitentes ou perenes no interior da floresta. Várias são as espécies registradas e já conhecidas da ictiofauna da bacia do rio Purus, dentre elas Mandi (Rhamida sp.), Surubim (Pseudoplatystoma sp.), Curimatã (Prochilodus nigricans), Branquinha (Psectrogaster sp.), Tambaqui (Colossoma sp.) e Pirarucu (Arapaima gigas), com registros de outros grupos, que podem ser visualizados no Plano de Manejo da unidade (Inserir link).